sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Prosa Poética- Se eu Fosse o Seu Vampiro



Não há cheiro de rosas, essência de flores, apenas o meu instinto olfato sente em mim o cheiro do meu velório. Eternidades moram em mim. E você pergunta, e eu sei que eu existo. Você olha para o nada e eu sinto frio. O frio que o medo não me deixa mais queimar. Não existe em mim mais desgraça do que desejar e não sentir calor. A labareda que queima em quimeras de desejos. O sussurro doce, o amargo do fim. Quantos fins existiram para mim? Quantos personagens eu fui? E você olha. Você procura e me encontra. Ai de mim!
Algo amargo como o fel, raso e inseguro que predomina no lado negro da alma, deixa transparecer no olhar a insegurança do amor. A incerteza da vida. A existência da morte e o que existe além. Este além que se esvai em segundos de agonia, derretem-se em lágrimas, e por incrível que pareça eu ainda posso chorar.
Neste sentido em que tudo se transforma, desarraigando o ódio do amor, influenciando a paixão existente no coração quase vivo. Tua presença é algo perigoso, inocente, é a parte que falta na minha alma. A parte que me faz gemer, e sussurrar de amor. Não temas a morte, pois, não existe nada mais elegante que amor e morte. Essa ternura inspira poetas, amantes, assassinos incontr
oláveis. Isso controla a mente dos fracos que enlouquecem de amor. Daqueles que fazem o vale dos suicidas florescer. Essa chama inconstante, que parece determinar no seu olhar, o meu iminente fim. Por que não importa quem eu sou, nem o que eu poderia ser. Sem você eu sinto a morte correr nas minhas veias. Sinto frio germinando lamúrias, sinto as dores do mundo. Sinto dores de parto. Isso me faz ser louco?
Mesmo todas as águas do mar, assim como todas as lágrimas que eu derramo, não significam nada para o seu olhar soberano. Nada vezes nada, é o que significo ao suplício enganoso do seu prazer libido. Nenhuma filosofia, nenhuma verdade, nenhuma mentira, nenhuma palavra que tenha nexo, pode explicar o teu doloroso resigno.
Mas prefiro falar do seu cheiro que deveria inspirar o perfume de novas flores, inspirar donzelas, lordes e heróis. Como esse seu cheiro inspirou a minha excitação. Dou-te agora em face do teu olhar desordenado uma rosa fruto da utopia, da paixão que nos desgraçou.
Não há cheiro de rosas, nenhuma face mais amarga da nossa estranha desgraça. Há apenas o reflexo pálido do seu rosto doce, com o rubor virginal, que com demasia a noite desenhou. Apenas vejo á margem do seu olhar todas estas palavras sem nexo se juntarem contra mim como numa poesia sem rimas. Sou eu sem o seu brilho. E a mim? Cortaria pela raiz o botão de amor, se eu fosse o seu vampiro?



Alison Santini

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