sábado, 19 de fevereiro de 2011

Um Anjo Uma Rosa-Do Meu Livro, Alison Santini

Um anjo, Uma rosa



Tu. Tu tens o corpo mais lúcido,
Entre duques e duquesas
Entre nobres e nobrezas
Tu tens, o meu, o teu fruto mais cobiçado,
A inocência mais inocente
Os lábios mais quentes
De todos os quatros cantos do mundo
Tu tens a ira em ti, a que preciso em mim.
Beijaria teus pés por meu idílio
Faria teu fruto içar-se por minha tragédia
Nas idas e vindas do meu teatro
O fogo que peço que me queime
Por eras e eternidades
Que me faça de tudo
Tornar-me senhor do tempo que me teme
Da ira, o senhor da beldade,
Que guardas em teu vão
A bela, a realidade,
A sublime rosa negra
O fruto da minha fantasia.
Tu tens as pétalas que homenageio
Todas as noites,
Qual rotina eu não quebro por amantes
Tu tens a natureza que preciso respirar
A canção para meu coração abrandar
Tu me da até autodomínio
Para não mudar o tempo
Para não findar os ventos
A fim de escravizar-te para mim.
Tu tens a lira e o lirismo
Tu tens os passos
Que marcaram a margem do mar
Na hora em que o sol se escondia
Para recebermos a noite
Com o seu mais belo vestido de gala
Tecido bordado com brilhos e brilhantes
E tu não tão diferente
Tens a rosa negra, em teu corpo branco
Que expele dentre as pétalas
As mais belas pérolas
Em que meu corpo deseja sentir em mim
A flor que não murcha
Os espinhos que não ferem
A brisa que não seca
Quando minhas noites se repetem
E eu só sei sentir
O momento que te projeto para mim
Onde príncipes e princesas
Invejam nossa consagração
Entre o eterno e a eternidade
Entre o feto e a sua idade
Onde poetas, trovadores, rainhas,
Profetas, leis e reis,
Suicidar-se-iam ao sentir
Uma pequena parcela
Do amor que lateja que arde em mim
Por mim, por ti, por nós,
Pelos nós, por teu corpo, pelo fruto,
Pela rosa negra sangrenta.
Ah! Tu tens o segredo
Do desejo concebido em mim
Tu tens o olhar que esmiuçaria
A bela rosa azul, e todo seu vigor,
Por vingança por meu amor
Por poder e por rancor
Tu tens o fruto,
O fruto que desafia todas as leis da natureza
Da gravidade, da física
Quando te saboreio na minha carência
Em que me pergunto
Em quantas noites das noites já existidas,
Houve uma noite tão bela
Que marcou a eternidade
Em que beijei teus lábios
E senti em minha mão, ela,
A mais bela maravilha do mundo
A rosa negra, o fruto.
E por seis badaladas
Observei-te dormir
Sem minha honra transgredir
Não eras tu donzela, nem Julieta,
Nem eu! Eu não fui Romeu
Escondi minha face
Não deixei aparecer a tua natureza
Não preciso me lembrar do nome meu
Nem tu da tua face
Nem precisamos nos lembrar do tempo
Este que nos consome em todos os momentos
Não digas não, a este amor que é teu,
Não recordes do cristal que se derreteu
Não se castigue por teus sentimentos
Este quando me repudia...
Repudie-me o quanto quiser
Mas nunca me ame
Pois o meu amor é constante
E pujante para os fracos
E tu não suportarias este meu amor...
Ama-me o quanto quiser
Eu espero...
Pois tu tens o relógio
Que prova que já passou da hora.
Traga-me o fruto, o prestigio,
Em que eu mereço ter agora
Nessa noite escassa de beleza
Se não estás por perto
Se a lua não tem a tua face
A face que alimenta minha alma
E o fruto que me acalma
Revela-me em que porto, tu repousas,
Que irei buscar-te
Para que tu repouses comigo
Em meu, em teu desejo
Se é que tens este desejo
Ao qual desejo unir nossos corpos
E fazer dos teus pés
Os pés mais beijados, dentre todos os contos.
No tempo em que eu hei de lhe conquistar
Sem medo lhe direi
Entregarei tudo o que tenho
Para sentir eternamente o fruto
Sem ter medo da fome, do frio
Nem da chuva, nem do tempo...
Não esqueças nunca
Que serei eu, o senhor do tempo.
Quando a ti eu tiver em meus braços
E tu, trarás contigo
Todo o alimento, o calor
Do tempo bom, e o tempo...
Este tempo, sei que consigo
Parar para estar eternamente contigo.
Por que não pertence a ninguém
O desejo, o apego e o afago,
Que eu sinto por ti.
Deveras te digo hoje
Tu tens o fruto proibido
Que conservas em teu paraíso
Escondendo de deuses e dragões
De lobos e leões...
E eu tenho em mim
O desejo de desvendar este mistério
Que usa o tempo como enigma
E o enigma vive em mim
Até que eu descubra as palavras certas
Que conduzirá tudo ao meu favor
E eu direi: “Mostra-te paraíso”.
E tu como prêmio
O guardião da rosa
Me entregará o fruto proibido
Que me fará imortal
Por marcar o tempo e a eternidade
No canto e na poesia.
Toda a glória do teu sabor
Abrasará meu coração distorcendo a cor
No momento em que eu me sentir
O grande e o pequenino
Por ter chegado aos céus
No momento em que eu cheguei ao limite
Do nosso único desejo.
Por ti, por mim, por nós.
Pelos nós do teu corpo, pelo fruto.
Pela rosa negra sangrenta!



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