domingo, 4 de julho de 2010

Prosa Poética de Alison Santini-O Osso do Perdão

Jacareí, 20 de abril de 2009


O Osso do Perdão

Estou longe do perdão. Estou longe de uma segunda chance. Estou longe de mim. De nós dois como começamos. De nós dois quando acabou. A arte do riso nos pegou. E eu pequei.
Pequei quando olhei nos seus olhos e me perdi. Quando sorrateiro e indiscreto caminhava meu olhar no seu corpo desejoso. Quanta ternura rígida e fresca no seu corpo magro. Era Quando subia os olhos desde os pés até o púbis, onde parava e me deixava ficar.
Foi inocentemente que viramos amigos. E amigos nós partilhamos segredos cândidos e extrovertidos. Foi quando brigamos a toa, como o vaga-lume voa. Foi quando partilhamos olhares em silêncio sem nenhum significado para você. Assim como o dia nasce, em silêncio, sem anunciar, como se os pássaros não cantassem, não anunciassem o amanhecer. Sem perceber, foi assim que nos apaixonamos.
Assim pensando em você e em como seria se eu tocasse seus lábios como o beija-flor. Em como seria se nós ficássemos num jardim esquecidos e sozinhos, o jardim, você e eu. Em como seria se eu te contasse o meu segredo, e se eu perdesse a sua amizade? Mas eu só pensava em você. Assim eu errei.
Não poderia ser diferente, pois nem mesmo somos diferentes. Já devia ter entendido que não eu não deveria ter dito tudo, tudo o que você não entenderia. E agora como se fosse o ultimo jantar real posto a sua mesa, eu o traidor, envenenaria o intocável. Pude perceber em seus olhos, a dor do enigma da esfinge decifrada. Como se eu tivesse atingido bem fundo, bem no osso. Se você não tivesse alma. Seria o osso a vitima?
Não era tão suntuoso ou ostentoso, talvez apenas um ósculo sem culpa. Um presente divino ou apenas um abraço de consolação...
Isso não é tudo. Tudo é o que acontece neste instante em que você dorme ou dormita. Apenas você ali, e a lua lá de cima como testemunha, enquanto outros dormiam. Como se ante a mim, de tanto ansiar um ensejo, bebesse a água de uma fonte sagrada, eu pequei de novo. Beijei-te sem tempo de se arrepender. Imaginando em como pode se passar tanta coisa em um instante na mente...
Diante dos seus olhos, na sua presença, busquei na mente, pois existe um infinito aqui, procuro um motivo do seu perdão. Sabe que nada dura para sempre, nem mesmo o ódio.  Nem mesmo a vida, nem um beijo. O desejo da carne não dura para sempre. Apenas ávida a essência do carinho, a ternura da pele, o sentido dos olhos, dura para sempre, e sempre na alma existirá o sentido do perdão. Sempre na carne viva a cicatriz, encontrará o osso do perdão, por um triz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário